domingo, 5 de abril de 2015

E se hoje fosse seu último dia?

Há muito tempo não uso das palavras escritas, assim, em um texto pra expressar as coisas que sinto. É fácil demais se perder no cotidiano, na intimidade, na confiança. A vida é cheia de histórias que deixamos passar, de momentos bons. Eu poderia vir falar dos meus sonhos ou da minha realidade maravilhosa essa noite, mas não são coisas que afligem meus pensamentos. Minha vida realmente tem sido maravilhosa, e sem sombra de dúvidas só tenho a agradecer... Mas como citei, nos deixamos perder muito facilmente no cotidiano, na intimidade, na necessidade de fazer parte da vida das pessoas e nos esquecemos que elas tem sua própria vida.
Pensar em como eu gostaria que as coisas fossem, e lembrar como elas já são me faz perceber que eu posso fazê-las perfeitas para mim e quem queira me acompanhar. Melhor dizendo, perfeitas não, agradáveis, divertidas, vivas...
Essa noite percebi que tenho vivido quase todos os meus dias no ultimo ano sem ter do que me arrepender. Quando joguei tudo pro ar as coisas mais importantes apareceram, fui encontrada e me encontrei. Eu descobri, por acaso do destino ou por competência de ver quem esta a minha frente, o que significa amar e ser amado. Aprendi a ser o que eu quero ser, ser alguém bom, bom pra mim, nos meus conceitos, e ainda assim aprender, evoluir, melhorar, cada dia, cada segundo da minha vida. Se hoje fosse meu último dia eu só teria um arrependimento. Me arrependeria de não deixar o passado no lugar dele e confiar plenamente em você.
Quer saber? Essa coisa de o mundo me ensinou a ser assim já ta mais que passada, é clichê que não presta e que eu não quero mais usar. Aprende de novo, já foi capaz de aprender tantas outras vezes, não foi? Se vai ser fácil ou difícil? Pra que precisamos rotular tudo, tudo é impossível até que se faça. Eu acredito nisso: cada um tem sua vida, o passado ou o futuro de cada só cabe a ele mesmo. Vivermos juntos é um privilégio, um presente, uma benção, que tem que ser renovada a cada dia, que tem que ser cultivada, regada, cuidada. Você faz parte da minha vida quando eu te dou bom dia ao acordar e boa noite ao ir me deitar ou quando penso em você. Faço parte da sua vida quando você me responde, quando me procura, quando pensa em mim. É assim que é e qualquer coisa além disso que eu saiba ou viva com você são concessões feitas por você por confiar em mim. Ou feitas por mim por confiar em você. Então por que me incomodar com seu passado? Por que ficar magoada quando uma pessoa que faz parte dele, ou do seu presente, seja lá o que for, aparece na sua vida?
Se você diz que me ama, você me ama. Ponto. Sem mais, acabou, cabe a mim apenas aceitar ou não o seu amor. Não questioná-lo, não buscar o que você deu a outro, apenas aceitá-lo como quer dar a mim.
Essa noite eu quero te dizer que eu quero fazer parte da sua vida, muito, em tudo que puder, que você quiser dividir comigo. Eu estou aqui pra você, aberta a te apoiar, te ajudar e te aceitar com seus acertos e erros, com seus medos e todas as suas decisões. É muito provável que ciúmes existam, por que é muito difícil ter controle sobre si mesmo o tempo todo. É muito provável que em alguns momentos eu deseje o carinho que você deu a outro alguém, ou o brilho nos seus olhos quando você fala de outra pessoa. Mas é a sua vida e o que você decidiu fazer dela. Se é o que eu desejo ou não pra mim não interessa, eu te respeito e amo como você escolheu ser, principalmente se no fim do seu dia você olhar pra tudo que fez e dizer que se hoje fosse seu último dia, não se arrependeria de nada.
E todos os dias é assim que vou te olhar, querendo te levar comigo pra qualquer lugar que eu for, te mostrar as coisas que eu vi no caminho. Todos os dias vou me apaixonar pelos seus olhos outra vez e ainda mais um pouquinho. Vou segurar sua mão e te dar um beijinho, um bom dia, um sorriso. Sim, eu vou brigar, por que nossas ideias nem sempre vão bater, mas logo depois vou pedir desculpas e te mostrar que você é a pessoa que eu quero do meu lado. Eu já acreditava, mas você me deu o pinguinho de coragem que faltava pra continuar. Eu não me arrependo, acredito em mim e em você, me olho no espelho de manhã sabendo que posso fazer grandes coisas, e quando volto a me ver à noite, tenho a certeza que as fiz e que faria tudo de novo do mesmo jeito.
Obrigada. Por me ajudar a deixar meus medos pra trás e me permitir viver todos os dias de novo e de novo. Por me permitir viver do seu lado.

sábado, 10 de maio de 2014

Uma história


Conheci certa vez um rapaz (um homem). Não sei muito bem como descrevê-lo fisicamente, pois assim que olhei em seus olhos, negros como a noite, me vi encantada por um mundo que precisava conhecer. Quando ele falava comigo, sua voz saia como melodia. Cada palavra uma história, uma parte de algo tão incrível e grande que só ele conhecia. Não me fazia esquecer o mundo, do contrário, era a única pessoa que conseguia fazer-me vê-lo de outra forma, uma forma simplesmente maravilhosa.
Qualquer pessoa diria que ele era um homem comum, nada de extraordinário. No máximo, um contador de histórias. Mas eu via em seus olhos como aquelas histórias eram reais. Durante muitas noites ele ficava trancado em seu quarto com uma folha (muitas folhas), canetas ou lápis, qualquer coisa que pudesse escrever e pilhas de livros. Muitas vezes não bastavam as folhas e as paredes e cantos eram seus refúgios. Mas o mais incrível, as historias mais maravilhosas, ele ainda guardava para si.
Um dia, depois de muitos anos que o conheci, ele me convidou para entrar em seu quarto, aquele cantinho misterioso que guardava quase todos os seus segredos. Fiquei maravilhada com as coisas que encontrei ali, mas fiquei muito curiosa também pra conhecer seu mundo. Sem minha interferência ele logo se acostumou com minha presença e deixou-se levar.
Começou então a escrever uma história, a qual jamais vou esquecer. Eu o ouvi conta-la a mim e, quando as palavras saiam de sua boca, as linhas pelas paredes dançavam, formando-se naquilo que ele contava. Tudo ali formava uma melodia perfeita, simples, que me fazia desejar jamais partir. Ele pegou uma caneta preta, daquelas que marcam cds e começou a escrever nas paredes. Não sei se eram palavras ou desenhos. Era um guerreiro forte, destemido. Carregava uma armadura pesada e uma espada que tinha o peso de seu coração. Era jovem e puro ainda. Sonhador, conseguira derrotar muitos demônios, feras indomáveis, exércitos. Era venerado, temido e amado. Seus cabelos tinham uma tonalidade avermelhada, ruivo; seu corpo era desenhado por linhas, suas mãos fortes podiam manejar com destreza não só a espada, mas também arco e flecha.
Ele era sonhador também. Queria conhecer o mundo um dia, porém, conheceu uma mulher. Era ela linda, misteriosa. Possuia cabelos escuros como o breu, com ondas que lembravam-lhe o mar. Era serena como a lua, fria e escura como a noite, mas era viva. Tão viva como jamais havia ele visto outra criatura.
Ela o envolvia. Ah! Mulheres tem esse dom. Mas o envolvia de uma forma diferente. Não seduzia apenas seu corpo, seduzia seu coração. Ela não era como as outras mulheres, ela sorria sem medo de ser indiscreta demais e seu riso alegrava a todos. Ela olhava para o que queria com desejo e seu desejo queimava por dentro. Ela acordava todas as manhãs e saia pelos jardins balançando suas saias e cantarolando. À tarde ficava a observar em um silêncio quase sagrado a natureza.
Um dia, quando ele fora treinar o uso de sua espada, ela aproximou-se silenciosamente, carregando uma espada diferente e, como uma dançarina, entrou na frente dele, desafiando-o. Ela mostrou-se surpreendentemente habilidosa e a luta terminou em um empate, por que nenhum dos dois admitiria derrota, nem mostravam o menor sinal de cansaço. Ela girou a espada, deu as costas para ele e voltou para sua casa.
Naquela noite, passaram-se mil coisas em sua mente. Ela poderia ser tudo e ser nada, mas, quando do primeiro raio de sol, uma palavra passou por sua mente. Era algo comum, mas que simplesmente a definia. Era ela uma artista.
Quando ouvi essa palavra, pus-me a sonhar mil coisas, mas a luz do sol já entrava pela cortina, invadindo aquele lugar misterioso e tornando-o comum. De uma forma inacreditável a voz dele se calou, os traços pelo quarto cessaram. Tudo ali parecia comum e nada, absolutamente nada, indicava que eu ou ele estivéramos assistindo e ouvindo uma história tão apaixonante. Não haviam sinais daquele cavaleiro destemido ou de sua artista misteriosa. O único mistério que senti foram suas próximas palavras. Me pediu, numa voz estranha, que eu voltasse na próxima noite, assim a história continuaria, mas caberia a mim, até lá, manter aquele mundo em segredo e sonhar com ele.










Durante todo o dia eu tentava imaginar o que me esperava. A noite era fria e muito escura. Caminhei sem pressa até a casa dele e, ao bater na porta, ela foi aberta. Atrás, com um grande sorriso no rosto, ele me esperava. Não sei por que, mas seus olhos misteriosos me diziam algo... Ele se encantava tanto com minha presença ali quanto me encantava com suas histórias, palavras, presença.
Segurou minha mão e me levou até o quarto. As cortinas, hoje, estavam fechadas, haviam papeis sobre a cama, canetas sobre a escrivaninha. Ele me sentou em sua cama e sentou-se a meu lado. Sorriu mais uma vez para mim, deitou-se e recomeçou aquela história que tanto me encantava.
Ele não a tinha visto desde o dia anterior, quando ela saíra no meio da luta e se recolheu. Passou o dia treinando e sequer teve tempo de procurá-la, mas ficara mais atento a presença dela, de todos.
Ao final do dia, resolveu tomar um banho no rio, como uma forma de deixar seus pensamentos fluírem. Lá, quando ele estava de olhos fechados, apenas sentindo a água passar por seu corpo nu, sem se preocupar com qualquer outra coisa que não fosse o som da água batendo nas pedras mais a frente e em seu próprio corpo, sentiu o calor suave de outra pele tocando a sua. Era ela.
Dessa vez, ele não se deu ao trabalho de abrir os olhos, deixou que ela fizesse o que queria, mesmo que fosse tirar sua vida. Sentiu a mão leve dela passar em seus cabelos e descer pelo pescoço, até as costas. Percebeu que ela estava, então, na sua frente. Ainda sem abrir os olhos, levantou as mãos e passou em seus cabelos longos, roçou os dedos na pele macia de suas costas. Sentiu seu hálito quente perto do rosto.
Eu via os corpos se encontrando em baixo d'água, sentia a correnteza pressionando suas peles, o calor de seus corpos. Aqueles olhos misteriosos que me encantavam, agora me fitavam de forma inusitada. Ele já não estava mais deitado, mas sentado a meu lado. Suas mãos tocavam de leve meu cabelo curto, loiro e ondulado. Os lábios que contavam histórias extraordinárias a centímetros da minha pele, ainda descreviam a cena. Meu coração estava acelerado.
Eu já não ouvia mais a história, não apenas a sentia ou assistia, eu a vivia. Sentia, como eles, o desejo em meu corpo, a necessidade de acalentar e satisfazer. Senti seus lábios tocando minha pele, enquanto me contavam o desejo que movia aqueles corpos embaixo da água. Eles passavam das maçãs de meu rosto a meu pescoço com carinho e sensualidade, como os lábios dela percorriam o rosto daquele guerreiro.
As linhas dos desenhos no quarto nos envolveram e me tornei a própria história. Suas mãos macias percorriam cada linha do meu corpo com ternura e sem pressa alguma. Os beijos eram leves, em meus lábios, meu pescoço, às vezes na ponta de minha orelha. Eu mesma me despi e caminhei até o banheiro, ansiando pela água em meu corpo.
Ele veio um pouco depois, encontrou meu corpo quente debaixo da água mais fria, me conduzia com uma destreza, saciava meus desejos. Eles saíram do rio juntos, ele sempre sendo guiado por ela. Deitaram-se na grama quente.
Eu sentia os lençois esquentarem meu corpo. Ela ditava o ritmo. Aquele corpo sedutor e misterioso me possuia, me contentava e me exauria. E quando ficamos satisfeitos, ela se aconchegou em seu peito. Ele me abraçou.
Acordei sem saber o tempo que se passara, mas o tempo já não tinha importância para mim. Mesmo vendo um pouco de luz pelas cortinas, o que me indicava a presença do sol, a magia ainda era viva no quarto e eu ainda vivia aquela história. Esperei que ele acordasse, mesmo sendo parte da história, eu precisava ouvi-la.
Acordou calmo, mas algo passou pelos seus olhos quando me viu em seus braços. Com um suspiro e sem levantar-se, continuou.
Ao acordar com a luz do sol em seus olhos ele não a encontrou a seu lado. Passou, em seus pensamentos, que tudo aquilo fora um sonho. Mas era um sonho real demais. Então tentou imaginar o por que de tê-la tido em seus braços e tê-la perdido. Quando teria ela acordado, por que partira?
Passou o dia tentando achá-la, tentando descobrir o motivo de sua ausência, mas novamente não a encontrou. Desta vez não foi ao rio, voltou para casa. Esperava, de alguma forma, encontrá-la, mas nada e ninguém dava sinal de que algum dia ela houvesse existido.







Algumas semanas passaram-se assim, ele não ouviu sequer um rumor sobre ela. Chegou um ponto em ele não parava mais de pensar nela e não sabia se estava ficando louco, se tudo aquilo fora um sonho, ou se ela realmente existia e, por algum motivo completamente estranho, havia sumido. Depois de pensar sobre o que faria, resolveu seguir sua loucura e procurar por ela.  
Resolveu começar a procurar pela floresta próxima à aldeia em que morava, mesmo sendo um lugar improvável. Pegou sua capa mais grossa, sentia que o tempo não era favorável, de alguma forma sentia que aquela noite e os dias seguintes seriam frios. Levou uma a mais, por precaução, um pouco de água e algumas frutas, o resto ele poderia encontrar na mata. Saiu ao anoitecer. 
Ao adentrar na mata sua pele arrepiou. Sentiu medo, mas não desistiu de continuar. À medida que a noite se tornava mais escura e a mata mais densa, coisas estranhas passavam por sua mente e se tornava difícil concentrar-se. Tinha muito medo do que iria encontrar, ela fora a única que ele amara, tinha que cuidar dela.  
Durante o amanhecer do sétimo dia, ele encontrou uma caverna escondida atrás de plantas. Era estranha. Por dentro, toda feita de cristais em tons de rosa e azul, refletiam a luz de uma forma estranha e maravilhosa. Porém, o fundo da caverna era rústico, de pedra. No meio havia uma mulher de longos cabelos negros ondulados. Elegante, escura como a noite. Era ela. 
Nessa hora, ele me abraçou com força, como que me segurando, me protegendo, com medo de me perder. Ele correu até ela, ajoelhou-se a seu lado. Passou a mão em sua face e sentiu-a gelada, mas viva. Cobriu-a com sua capa, na tentativa de esquenta-la e faze-la acordar, mas não conseguiu. Ele então resolveu levá-la para casa e lá tentar acorda-la novamente. Após um tempo mais longo, já que tinha que carrega-la com cuidado, chegou em casa. Ele a acomoda em sua cama e busca pela casa algo que a ajude, sem saber o que fazer.  
Acha então um anel com uma safira. A pedra brilha, como que com alguma magia escondida. Ele coloca o anel em seu dedo mindinho e a pedra começa a escurecer. O calor volta aos poucos ao corpo dela enquanto a joia escurece cada vez mais. Ele então me abraça muito forte, quase me sufocando e diz, num suspiro rápido, cortante, que ela acorda. 
Ela acorda sem direção, perdida, desnorteada. Ele beija de leve seus lábios, quer saber o que houve. Ela fala frases cortadas, mas firmes, não tem mais medo. Explica com dificuldade que o mal estava atrás dele e ela se sacrificou para que não o atingisse. Ela sabia que ele iria procura-la. Seus olhos encheram-se de lágrimas. Os meus também. O céu também chorava, derramando gotas d’água que batiam na janela. Nossos lábios se tocaram e de olhos fechados senti que ele me esperara, sabendo que eu o procuraria. 
Todas as noites, a partir de então, ouço um pedaço de uma história, uma historia que espero não ter fim. Todos os dias, nós a vivemos. Juntos. 

quinta-feira, 6 de março de 2014

20 segundos de coragem insana

Que tem se você me achar louca ou complicada, não é mesmo? Afinal, isso eu já sou... Perdi muito por medo de dizer, mas muito mais por medo de perder. Me policio para que você não se torne alguém que ocupa todos meus pensamentos e empurre todo o resto para os cantos e ainda assim você o faz. É, sou uma criança, com medo de se deixar levar, simplesmente por que não faço a menor ideia de como me relacionar com as pessoas. Não quero te pedir nada, nem prometer. Estou farta de dizer eu te amo pra contentar o ego de outro. Gosto desse sorriso seu. Quero ter um pouco de paciência agora, mas meu tempo passa rápido demais. E no meio de tanto e nada não sei sequer que palavras usar. Eu tinha medo e você me tirou de lá devagar para eu me acostumar. Eu estou perdida e você tem paciência de me buscar. Isso tudo ainda não parece real. Não quero me entregar por pedaços. Sou desesperada assim. Mas ainda tenho muitos segredos dentro de mim. Detalhes que você deveria saber. Coisinhas que quero te contar.
Você volta logo. Talvez, em poucos dias, seus pensamentos sobre mim tenham mudado. Mas não quero mais ter medo. Nem disso nem de qualquer outra coisa. Quero que seja verdadeiro. Sinto falta de alguém que sei que você adoraria conhecer. É uma garota, menina mulher ainda, toda louca que acredita nas pessoas. Ela sonha. Ela ama. Ela se encanta. É uma garota de cabelos pintados com tinta temporária, com cachos indecisos. Uma garota que consegue ser original, barulhenta e tímida. Ela é curiosa, tem olhos de criança. É perceptiva. E ela sorri, sorri com o coração.
Sem medo dessa vez. E se tudo der errado no fim, afinal, nada deu, por que tenho certeza que nada acabou. E você me fez feliz. Me trouxe de volta algo que eu desejava há muito tempo. No fim, ainda estou viva. Eu posso te ver de novo e posso seguir em frente. E se as coisas mudarem, se eu ficar triste, deixe que as lágrimas rolem pelo meu rosto, enquanto algum outro trecho de música vira um novo lema pra viver. Só quero viver outra paixão louca. E quando tudo isso acabar, quando o desejo insano definhar, quero o que sobra. Um amor, um amigo. Mesmo que nossas conversas não sejam longas mais. Mesmo que demoremos meses para nos falar. Ainda quero te ter aqui e agora.
Sei muito pouco sobre mim. Nem quero mais saber. Me conte um pouco mais de você, mas não me conte tudo. Deixa eu descobrir, em cada olhar, cada palavra, sorriso e lágrima um pouquinho desse mistério gostoso que é ser alguém encantador. Deixa eu te amar.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Palavras, me ajudem!

Confesso que prefiro o papel e a caneta. Por mais maravilhosa que seja uma tecnologia, que facilite as coisas e que consiga, de certa forma, dar mais espaço para meus pensamentos por ser prática, o papel me inspira, me faz repensar. Acho bonitas as voltas da caneta ao marcar indefinidamente o papel. Ela torna os pensamentos eternos. Aqui, basta um clique e tudo se perde. É tao comum e tao exato que as coisas já se tornaram levianas.
Mas é bem verdade que se não fosse essa tecnologia, talvez eu nem estivesse escrevendo agora.
Enfim, não recorri a ela para falar sobre seus opositores, mas para tentar entender o que estou sentindo.
É tao confuso. E as pessoas não bastam. Alias, elas nunca foram suficiente em si. Mas parece que o mundo esta escapando pelas minhas mãos e eu não consigo segura-lo. Talvez eu ainda consiga salvar esse mundo pela pontinha, como quando conseguimos pegar repentinamente algo que cai. Mas é que me falta algo pra querer lutar por ele.
Não que as coisas não estejam boas, na verdade, são maravilhosas. Mas parecem não fazer sentido.
Não tenho palavras suficientes para descrever as coisas, para lutar por elas. A cada segundo as palavras me confundem mais e não expressam de forma alguma o que elas deveriam. E ao mesmo tempo me atormentam. Me atormentam o suficiente para que eu não consiga dormir. Elas são claras em minha mente, maleáveis como água, simples, puras, fáceis. Mas não saem daqui.
Formam algo como uma nuvem que impede que qualquer uma delas saia sem condensar-se e tomar outro sentido.
Temo que me falte aquela esperança. Os segredos da vida. Aquele que proibido ou impossível que nos da impulso para as coisas extraordinárias.
Basta de palavras.
Declaro guerra contra elas.
Se não me vem suficiente para que eu possa me expressar de forma clara, que parem de atormentar minha mente.
Deixem que minhas ideias se construam por imagens, deem espaço para elas. São mais belas, mais humildes, melhores que palavras.
Mesmo que para dize-las ainda precise de palavras.
Não importa! Declaro guerra as palavras! Malditas palavras mal ditas!!!
Terei que implorar-lhes que não me atormentem? Ou que me ajudem?
Só tenho a elas a quem pedir socorro. Pois retiro o que disse. São belas também as palavras. Inconstantes, maldosas, traiçoeiras, mas belas sim. Mas por favor, fiquem sempre aqui, só aqui.
Companheira dos loucos e solitários. Das mentes. Das insonias. Das paginas em branco.
Ah, por favor, abaixem seu ego, expressem meus sentimentos.
Sei que as palavras dizem por si só, então me ajudem!!

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Pertencente às palavras

  Olhando as coisas tão miúdas, sentindo a brisa da manhã, vendo a expressão de uma pessoa, ouvindo a chuva bater na janela, os grilos cantando numa noite quente, o riso de alguém, ou a tristeza de outro, me vejo cada vez mais distante de mim mesma.
  Sentindo o abraço indiferente, as conversas alheias, o arrepio na pele, os sonhos, me vejo como se eu não estivesse ali.
  E cada segundo a mais, cada hora que envelhece essa minha humanidade me mostra como eu não vivi nada do que se tem para viver, que eu não fiz nada que eu queria viver. E a cada batida do coração, cada acorde de uma música, riso de uma criança, a cada respiração, sinto como se não pertencesse mais a esse lugar, a esse mundo.
  É como só saber voar, mas ter suas asas cortadas. Um objeto fora de lugar, uma peça que não se encaixa. Mas mesmo estando tão distante de um lar, é incrível olhar a vida por cima, com olhos de quem descobre. É uma sensação ao mesmo tempo magnífica e assustadora, olhar para cada página e ver seus detalhes ínfimos; sentir entre os dedos um pouco da poeira do passado e do relevo das coisas miúdas.
  Tão adorável ouvir o som do mar ou o quase silêncio de uma noite no mato. E tão infinitamente curioso sentir, ler, ouvir livros maravilhosos em cada pessoa, cada cantinho.
  E gentil. Gentil perceber que cada gesto simples é carregado de significado, que a brisa da manhã compensa estar ali, que um sorriso arruma o dia.
  No fim do dia, de uma semana, de uma década ou de um século, que seja um milênio, perceber então que as coisas não são tão distantes assim. Elas ficam e ficam por muito tempo.
  Talvez, e só talvez, nascendo aos poucos das palavras, elas podem voltar a ser o que eram ou ser o que jamais seriam e eu volte a pertencer a algum lugar.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Apenas mais uma de Lilla (Desabafo)

  Eu? Quem sou? Talvez apenas mais um amigo, ou talvez ainda um seguidor, um obcecado. Talvez eu tenha sido apenas mais uma pessoa ou talvez tenha sido a pessoa. Podem me chamar de amigo, ou companheiro, pai, irmão ou amante. Eu era. Para ela fui tudo, seria tudo.
  Ah Lilla! Que saudades desses olhos negros como a noite, desses olhos que carregam os mistérios do universo. Que saudade da pele aveludada, daquela doçura das palavras. Que saudades das filosofias idiotas, das explicações simples, das risadas bobas.
  Ah Lilla! Como precisei de você, como te amei. Os seus mistérios, seus conceitos, seus erros, seus olhos, aqueles que por mais que vissem coisas não sabia escondê-las de mim. Que saudades, Lilla, de seus abraços, se sua vida, escolhas, que afetavam a todos, que afetavam a mim.

Os sonhos da lua.

  Ela olhava a lua como quem vê o mundo pela primeira vez e aquela cena maravilhosa a fazia ir além de si. A prata lua que era como uma joia muito rara se fundia ao negro azulado do céu e do mar. O frio da noite tomava conta de seu corpo, mas estar ali valia a pena.
  De repente braços envolveram-na. Traziam calor para seu corpo e pareciam sustentá-la diante daquela magnificência. Ele abraçava sua cintura e encostava o rosto em sua cabeça e, daquele momento, ele foi tocando-a, sonhando.
  Logo ele virou-a e seus lábios se encontraram em um beijo quente, necessário. Toda a eternidade ali pareciam segundos, a sensação de prazer e segurança foram tomando conta de seu corpo e, aos poucos, ela foi se entregando.
  Ele a esperava com toda a paciência do mundo, sabia do que ela precisava e o que desejava. Seus corpos agora eram um. Eles pertenciam um ao outro. Sempre de olhos fechados a boca passou ao pescoço e todo o corpo respondeu com arrepios. As mãos traçavam linhas por um templo que eles já conheciam há milênios e tiravam as roupas.
  A noite já não era mais fria. Ali, naquele momento, não eram homem e mulher, eram um único ser, vivente, pulsante. Sua pele era macia, seus beijos a faziam delirar, sua respiração era acelerada e compassada, como uma música a acompanhar aquela cena.
  Nada mais era relevante. Aquele beijo ardente e a sensação gritante de ter, possuir alguém completamente, aquele prazer infinito, sublime, selvagem e a calma, uma sensação de ser algo como aquela lua.
  E depois do prazer satisfeito, os beijos se calaram, ele a virou novamente e permaneceram ali, abraçados, quentes, vendo os sonhos que a lua carrega.